Guilherme Montoni de Aro

Guilherme Montoni de Aro

Meu nome é Fernanda Affonso Costa, tenho 29 anos, sou psicóloga e fiquei noiva de Guilherme Montoni de Aro, de 27 anos, em 9 de dezembro de 2014, após 2 anos de namoro. Como todo casal estávamos no auge dos nossos sonhos, tivemos um noivado lindo, todo apoio de nossas famílias e amigos, era uma alegria sem fim e os planos do casamento estavam de vento em popa. Porém os nossos planos não são os planos de Deus e Ele nos mostrou isso mudando todo curso de nossa vida no mês de janeiro de 2015. Apenas 1 mês após toda euforia de nosso noivado, Guilherme começou a se sentir mal, sentia dores na barriga, nas costas, não conseguia trabalhar direito, não conseguia dormir, perdeu peso muito rápido e assim começamos a procurar diversos médicos, ele fez vários exames e depois de mais de um mês de sofrimento veio o diagnóstico: Guilherme tinha câncer. E além de todo sofrimento de uma notícia assim, fomos descobrindo que era muito grave, que a doença estava avançada e ele possuia nódulos em 4 lugares do corpo, testículo, retroperitônio, mediastino e pescoço. O pensamento na hora da notícia é sempre de desespero... e nosso sonhos? e nosso casamento? e nossa vida pela frente? Porém não tínhamos tempo nem mesmo para pensar, tínhamos que correr contra o tempo, buscar alternativas, escolher onde seria o tratamento, pegar encaminhamos... enfim, uma série de burocracias e procedimentos. Porém enquanto esperávamos as vagas nos grandes centros como Barretos e São José do Rio Preto, o Guilherme não aguentava de dor, tomava morfina a cada 6 horas e não era suficiente para acabar com suas dores, sendo assim tivemos que buscar por um médico na cidade e assim conhecemos o Dr. Ayder e pudemos descobrir (pois para nós era uma situação nova), que Catanduva possuia os serviços de cirurgia oncológica e quimioterapia no Hospital Emílio Carlos, e como possíamos o Plano Padre Albino Saúde ele poderia receber o tratamento dentro do próprio hospital. Em um dia, enquanto aguardávamos os encaminhamos para a consulta em Barretos, devido a situação em que Guilherme se encontrava ele passou muito mal, foi um dos piores dias, então ele desesperado e com muita dor conversou comigo e sua família e disse que não queria fazer tratamento em outro lugar, que não iria suportar as viagens, pois antes mesmo de iniciar as quimios ele já vomitava de dor, disse que queria fazer aqui e que queria que tirassem essa dor que ele sentia o mais rápido possível. Começou então o tratamento no Hospital Padre Albino com o suporte do Hospital Emílio Carlos nas quimioterapias. Foi feito biopsia de seu pescoço, o material levado para análise em Botucatu e veio o diagnóstico de tumor embrionário de células germinativas, um tipo não convencional de câncer, mas que é comum em homens na idade dele. Ele começou com as quimioterapias no mês de março, e devido a grande procura que possui o Hospital de Barretos, quando ele fomos chamados para a consulta inicial lá ele já ia terminado um ciclo todo de quimioterapia aqui em Catanduva. A doença não podia esperar, o Guilherme não podia esperar... e se não houvesse o tratamento de quimioterapia aqui não sabemos o que teria acontecido. Foram 4 ciclos de quimioterapia no ano passado, e três cirurgias, sendo uma delas de grande proporções para retirada do tumor do retroperitônio. Após o tratamento ter sido concluído, no mês de agosto desse ano, durante o acompanhamento mensal que é feito, foi constatado que as células estavam começando a sofrer alterações e foi reiniciado o tratamento e ele já passou por mais dois cilos de quimioterapia e ainda fará mais dois até o final de 2016. Hoje, com 1 ano e 8 meses de tratamento temos a glória em Deus de dizer que o pior já passou, que tudo melhorou, que todo caminho agora é de manutenção, e para nós a certeza muito grande de que a doença está vencida. Foi fácil? Não, não é nada fácil ver a pessoa que você ama sofrer, ficar dias e dias internado, passar feriados, datas comemorativas ali trancado em uma cama de Hospital para o tratamento, não poder curtir a vida como um jovem em sua idade, ter que ficar um tempo sem comer o que gosta porque as reações da quimio não lhe permitem comer de tudo, ter que adiar nossos planos de casamento, nos privar de muita coisa, porém tudo isso se torna pequeno e insignificante quando você olha hoje e vê ele super bem e pensa que tudo valeu muito a pena. Sempre ouvia aquela frase que Deus nunca nos dá o fardo maior do que podemos carregar, mas mão acredita nisso até passar pelo câncer com alguém tão próximo a mim, e hoje sinto que é isso mesmo, que no momento do desespero achamos que não vamos ter forças, que não vamos conseguir, mas a força vem do AMOR, da fé, do apoio da família e dos amigos, e aí você luta, vai em frente, não abaixa a cabeça e quando vê tudo passou! Até o momento Gui passou por 125 dias de internação, e em todos eles eu dormi ao seu lado no Hospital, e assim como sua família e seus amigos tentamos estar sempre o mais próximo que pudemos, nos desdobrando para que ele tivesse sempre cercado de amor e carinho de todos que o amam, e isso fez todo diferença. Ele nunca esteve sozinho em nenhum momento desse tratamento, e eu como sua noiva, passando junto com ele tudo que passamos, entendo hoje que Deus nos uniu há quase 4 anos atrás para podermos passar por isso juntos, e sou uma pessoa muito melhor depois de ter passado por tudo isso. Aprendemos, eu e Gui juntos, que tínhamos muito mais fé do que imaginávamos ter, que éramos muito mais fortes do que pensávamos, vivenciamos um amor muito mais forte após a descoberta da doença, provamos da experiência de que o amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta, como diz na palavra da Bíblia, e hoje somos muito mais apaixonados pelo que pudemos descobrir um do outro nesse momento de dor que nos transformou em pessoas muito melhores. Em todo tratamento o Guilherme se manteve sempre de cabeça erguida, de sorriso no rosto, levando ânimo até para médicos e enfermeiros, e em todas suas internações ele é a alegria do Hospital do Padre Albino, tanto que foi escolhido para simbolizar a campanha do Hospital de Câncer de Catanduva. Guilherme não precisou da radioterapia, mas na situação em que ele se encontrava de dor, se tivesse que fazer radio ele teria que se locomover todos os dias para São José do Rio Preto ou Barretos e seria muito difícil e sacrificante para nós, pois temos que trabalhar e seria mais difícil acompanhá-lo e principalmente para ele de ir e voltar todos os dias. Hoje os grandes centros estão superlotados, não tem mais condições de atender a todas as cidades e o câncer é uma doença que não espera, que não podemos esperar as vagas nos outros lugares, então é por isso que Catanduva precisa urgentemente do serviço de radioterapia e é por isso que acidade toda e a região está mobilizada na Campanha para arrecadar fundos para o funcionamento do Hospital de Câncer de Catanduva (HCC), pois isso será benefício para nós todos. Além do fato da doença não esperar, quando o tratamento pode ser feito dentro da sua cidade faz com que o paciente sinta-se mais amado, ele fica mais perto das pessoas que ama e isso faz toda diferença na hora da dor e do sofrimento que o câncer inevitavelmente traz para o paciente em algum momento. Se você tem alguém com câncer em sua família entende tudo o que descrevi, e se você não teve ninguém ainda está sujeito a descobrir a qualquer momento, pois, infelizmente a doença está em todos os lugares. Você consegue enfrentar essa doença de forma muito mais fácil se souber transformar dor em amor. Não é nada fácil, em vários momentos você vai chorar, vai sofrer, vai pensar em desistir, vai desanimar, vai ter vontade de sair correndo, mas a fé em Deus e o amor podem mudar todos esses sentimentos, acalmar seu coração e te dar força para lutar. É o que estamos fazendo desde o dia 13 de março de 2015 quando ouvimos do médico que ele tinha câncer e quando decidimos lutar todos os dias pelas nossas vidas, estamos dia a dia transformando nossas dores em muito amor um pelo outro e pelo próximo. Por esse motivo é que decidimos ser voluntários para o Hospital de Câncer de Catanduva, e hoje participamos de um grupo chamado Voluntários do Bem, que realiza eventos e sensibiliza as pessoas da cidade e da região a fim de arrecadar fundos para o HCC, e essa experiência veio a somar em tudo o que já passamos, além de ser uma forma de devolver um pouco do que a Fundação Padre Albino, Hospital Padre Albino e Hospital Emílio Carlos está fazendo por nós durante todo tratamento! Hoje, eu, Fernanda, não sou mais a mesma do começo dessa história, agora sou a noiva de um guerreiro, que luta todos os dias de cabeça erguida e sorriso no rosto pela sua vida e que mudou a vida de todos a sua volta. Sou uma pessoa muito melhor, com muito mais fé em Deus, com muito mais amor pelo ser humano, com muito mais esperança e alegria em viver, tentando sempre tocar as pessoas por essa causa, tentando levar junto com o Gui mais esperança e amor para a vida de outras pessoas... aproveitando cada minuto de minha vida como se fosse o último e dando muito valor ao amor e a vida! Fernanda Affonso Costa 31/10/2016